DIÁRIO DE BORDO

Caravana das Artes estreita laços com indígenas do Médio Purus pela língua materna

Diálogo gera conhecimento e enriquece trabalho de pertencimento com os povos do Médio Purus.

Diálogo gera conhecimento e enriquece trabalho de pertencimento com os povos do Médio Purus.

O Instituto Mpumalanga, que desenvolve as metodologias da Caravana das Artes e do Vozes do Purus, está no Amazonas. A presença no norte do país não se trata exatamente de uma novidade nos últimos anos, quando foi firmado um compromisso de trabalho pela preservação das culturas do Médio Purus, com os povos Paumari e Apurinã. Esse novo encontro tem como objetivo o apoio ao quarto Campeonato da Língua, uma iniciativa dos indígenas pela manutenção da língua materna entre as comunidades.

 

A língua é a base de uma cultura. É na língua de um povo que os pensamentos se estruturam, logo sua importância é gigante quando falamos na preservação de costumes e tradições. “É um exemplo de ação da comunidade indígena para a manutenção daquilo que a gente considera arte, é cultura!”, afirma a professora Kity Canário, do Instituto Mpumalanga. Ela representa a instituição na Amazônia.

 

A arte é uma forma de comunicação em qualquer cultura, mas tem um valor imprescindível na cultura indígena. As pinturas, corporais ou não, as danças, as músicas e os rituais têm muito a dizer. Eles são comunicação, basta entendê-las como tal.

 

“A conversa com os anciões é importante nesse processo.  Eles mostram o que foi desenvolvido na própria língua e o vocabulário aumenta. É preciso entender a organização, a combinação de fonemas”, explica Kity, cuja a aproximação com os povos é tamanha que ela prefere a denominação de “parentes” ao falar dos indígenas.

 

Preservar a cultura é a bandeira de muitos povos que querem diminuir a influência da globalização nas comunidades indígenas, portanto uma simples conversa com os mais velhos se torna um movimento importante. “É a aproximação das faixas etárias. São passados valores importantes para nosso tempo, como o olhar para o meio ambiente, para a preservação e para a arte”, detalhou a professora.

 

É por isso que um campeonato criado em defesa da língua materna é de vasta relevância quando falamos de preservação. A presença o Instituto Mpumalanga confirma o comprometimento com a questão. “A importância de estar no campeonato é pelo valor da continuidade do Mpumalanga aqui. Com o trabalho no Médio Purus, como o Vozes do Purus e o trabalho com os professores, o trabalho com literatura. Tudo isso firma cada vez mais a parceria e desenvolve o trabalho que deixamos aqui”, explica Kity Canário.

 

O primeiro passo na região foi dado com Caravana das Artes e a Caravana do Esporte, que realizaram etapa em Lábrea, em 2015. Desde então, a presença das artes e do movimento alterou a maneira de pensar da comunidade e estabeleceu novos vínculos. O Vozes do Purus, um projeto que visa trabalhar a manutenção da cultura por meio de técnicas audiovisuais está empoderando os jovens da comunidade, ao passo que a Oficina Jovens Autores incentiva a comunicação textual. Professores indígenas também são capacitados a darem continuidade aos conceitos educacionais. Comunicar é preciso, e a arte é o caminho.

 

Trabalho do Vozes do Purus tem como princípio a preservação da cultura. Jovens estão engajados na proposta!

Trabalho do Vozes do Purus tem como princípio a preservação da cultura. Jovens estão engajados na proposta!

“A gente busca conhecimento, de tradição, identidade, memória, história, não podemos estar de fora. Eles esperam por nós! Contam com a nossa presença valorizando o campeonato”, reforça a professora, que também aproveita a oportunidade para traçar novos rumos para a parceria.

 

“Momento político importante de fortalecer as lideranças, delas se encontrarem e conversarem sobre outras questões, educação, desenvolvimento sustentável, mulheres, jovens, as lideranças juvenis. Estou feliz de estar aqui, de colaborar, de refletir sobre a importância da educação indígena e da arte na educação”, acrescentou.

 

A felicidade pela presença na Amazônia também está em ver os resultados de um trabalho que caminha para seu terceiro ano. “Eu sinto que tem um olhar mais sensível. Sinto que a gente tem feito essa mudança. No dia a dia tem mais desse conteúdo da arte, na pintura, na música, na movimentação, fomos agregando! É também uma maneira de fortalecimento da língua materna com o trabalho com literatura e o apoio ao Sou Bilíngue – projeto de iniciativa indígena pela língua paumari e apurinã. O Vozes [do Purus] está fazendo um trabalho da maior importância no sentido de fortalecer esse pertencimento”, avaliou Kity Canário por fim.

 

É a segunda vez que o Instituto Mpumalanga participa e apoio o Campeonato da Língua no Médio Purus. O evento está em sua quarta edição.

 

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