DIÁRIO DE BORDO

Com lembranças da infância, Edvaldo Valério planeja futuro social com a Caravana

xRealidade da periferia trouxe Edvaldo Valério para lembranças da infância em Salvador. Ele é o convidado da Caravana do Esporte. | Foto: Celia Santos/ Instituto Mpumalanga

Realidade da periferia trouxe Edvaldo Valério para lembranças da infância em Salvador. Ele é o convidado da Caravana do Esporte. | Foto: Celia Santos/ Instituto Mpumalanga

A presença no bairro de Pirajá para participar da Caravana do Esporte foi um inevitável passeio pela infância para Edvaldo Valério, o nadador conhecido como Bala na Bahia. Nascido em Itapuã, em condições sociais próximas dos garotos que transitam pelas ruas da comunidade ou estavam na Arena do projeto, o nadador medalhista olímpico em Sydney-2000 não conseguia se desvencilhar das imagens da infância.

 

“Eu sempre morei em Itapuã, que é um bairro periférico também, só que pra ir treinar eu tinha que andar de ônibus e andava cerca de 24 km. Eu fazia isso pela manhã e pela tarde, duas vezes ao dia, então eu ralei, ralei muito, não foi fácil, muitas vezes eu quis abandonar o esporte, mas meus pais também foram alicerces importantes nesse processo e nessa conquista”, rememorou. É assim quando Edvaldo Valério fala da carreira, ele não consegue mencionar o sucesso sem antes dar ênfase ao caminho percorrido.

 

Acompanhe o Diário de Bordo da Caravana em Salvador: 

> Chegada em Pirajá
> Abertura dos projetos

 

 

Afinal, os 49s12 marcados pelo placar eletrônico na Austrália representavam muitas horas de dedicação incansável desse atleta baiano. “A gente tem o costume de só olhar quando o cara é campeão, mas a gente não sabe a trajetória que esse atleta percorre até chegar no sucesso”, pontuou.

 

Se a participação na Caravana do Esporte o levou para memórias do passado na Bahia, ela também transitou pelo futuro, uma vez que é no engajamento social que Edvaldo Valério projeta sua experiência. “Foi uma coisa que eu me identifiquei muito. Trabalhei três anos com projeto social. Eu gosto! Criei o Instituto Edvaldo Valério, que a partir do próximo ano vai trabalhar também essa questão social”, afirmou encantado com o crescimento do projeto que voltou para Salvador nesta semana.

 

Depois de muitos anos dedicados para a natação de alta performance, Bala foca no social para fazer o esporte crescer em seu estado. | Foto: Celia Santos/Instituto Mpumalanga.

Depois de muitos anos dedicados para a natação de alta performance, Bala foca no social para fazer o esporte crescer em seu estado. | Foto: Celia Santos/Instituto Mpumalanga.

Bala participou da Caravana do Esporte ainda nos primeiros anos da iniciativa, que está em seu 12º ano de atuação. “Eu vejo que a Caravana cresceu, expandiu muito, viajando o Brasil todo, acho que é importante estar fomentando e incentivando a prática esportiva, tendo o esporte como uma inclusão social”, observou o nadador.

 

O mesmo crescimento ele espera para o esporte aquático da Bahia com uma ajuda vinda do Rio de Janeiro. A piscina olímpica onde foram disputados o Jogos de 2016 será enviada para Salvador e Edvaldo Valério esteve a frente nesta negociação. Ele irá gerir o espaço que deve ser referência em Salvador a partir do próximo ano.

 

“Eu acho que vai ser importante também para continuar fomentando a prática esportiva, principalmente as atividades aquáticas, a gente vai poder trabalhar natação hidroginástica, polo aquático, nado sincronizado”, comentou. Bala estava receoso com os clubes fechando as portas na capital baiana. A piscina olímpica é um alento para o atleta e o desenvolvimento esportivo da cidade.

Caravana apresenta esporte mais acessível dando maior importância para a metodologia e o trabalho educacional. | Foto: Celia Santos/ Instituto Mpumalanga.

Caravana apresenta esporte mais acessível dando maior importância para a metodologia e o trabalho educacional. | Foto: Celia Santos/ Instituto Mpumalanga.

 

Se depender do medalhista olímpico, a natação estará mais acessível, pois 17 anos depois da conquista em Sydney, ele não quer mais ostentar o título de único negro a subir ao pódio da natação brasileira em escala olímpica. A ideia de acessibilidade, até mesmo para um esporte considerado de elite, anima o nadador.

 

“A Caravana traz isso, traz a oportunidade para crianças que nunca tiveram contato com determinadas modalidades, que teoricamente são modalidades caras, por exemplo o tênis”, comentou, depois de ele próprio brincar na estação. A Caravana do Esporte usa materiais reaproveitados na confecção das redes e raquetes de plástico, que incentivam o esporte a ser reproduzido na educação dentro das escolas, uma vez que o apresenta mais acessível.

 

“Então, a partir do momento que a gente entender que o esporte é uma ferramenta de inclusão social, a gente vai fazer desse país uma grande nação e a gente vai estar de fato diminuindo os números hoje que estão muito negativos na questão da saúde, da educação e da segurança. O esporte tem esse poder”, finalizou Bala.

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