DIÁRIO DE BORDO

Como referência, Edvaldo Valério participa da Caravana do Esporte em Salvador

Inspirado por ídolos da natação, Bala quer ser referência da crianças na Caravana | Foto: Divulgação.

Inspirado por ídolos da natação, Bala quer ser referência da crianças na Caravana | Foto: Divulgação.

Edvaldo Valério é o Bala. É assim desde que ele fora apresentado para a natação, ainda menino. Ele ganhou o apelido em Salvador, onde cresceu com o esporte no versado bairro de Itapuã. Mas ao contrário do que sugere Vinícius de Moraes em Tarde em Itapuã, o dia de Edvaldo nada tinha de vadiagem e água de coco. Foi com esforço implacável e rotina árdua que ele se tornou o primeiro nadador negro a ganhar uma medalha olímpica para o Brasil e mostrar ao mundo o que significava a alcunha: Bala. Agora, ele apresenta sua trajetória para as crianças de Salvador com a Caravana do Esporte, que irá desenvolver mais uma etapa, no bairro de Pirajá, com participação do atleta nos dias 03, 04 e 05 de outubro.

 

Edvaldo Valério foi o último a cair na água pela Seleção no revezamento 4×100 livre nos Jogos de Sidney, em 2000. O Brasil estava em quinto. Bala colocou o time no pódio, superando os adversários para chegar em terceiro. Bronze do Bala do Brasil. Pela segunda vez, a natação brasileira chegava a um pódio em revezamento, feito conseguido também em 1980 e jamais repetido após a medalha na Austrália.

 

Por essas e outras Edvaldo Valério é um ídolo da natação. Junto com as lembranças está a gratidão ao esporte. “Viajei o mundo, coloquei meu nome na história da natação, tenho amizades de mais de 20 anos, tudo através do esporte. Me deu muita coisa, até mesmo ascensão social, consegui crescer através do esporte”, enalteceu.

 

No papel de referência, ele quer devolver a inspiração que o incentivou na natação para outras crianças de Salvador. Quando novo, ele acompanhava os ídolos Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa, e foi esse modelo que o fez treinar para dividir a mesma raia que eles. Em 2000, lá estava Bala, com a dupla e Carlos Jayme, na conquista histórica da natação brasileira.

 

“Acho que é importante ter referências. Eu tinha o Gustavo e o Xuxa”, ressaltou. “Lembro de ter visto Gustavo Borges nadar e falado que queria nadar com ele. Quatro anos depois, eu estava ganhando a medalha com ele, por isso é extremamente importante”, pontuou.

 

O revezamento histórico do Brasil em Sydney-2000: Edvaldo Valério, Carlos Jayme, Gustavo Borges e Fernando Scherer.

O revezamento histórico do Brasil em Sydney-2000: Edvaldo Valério, Carlos Jayme, Gustavo Borges e Fernando Scherer.

Pouco depois da conquista da medalha, Bala teve dificuldades de reascender na natação, com a falta de patrocínios, mas 17 anos depois, seu legado não foi esquecido. Ao ganhar a inédita medalha de prata no revezamento 4×100 do campeonato mundial, a equipe de 2000 foi citada por Bruno Fratus. O quarteto de Sydney voltou ao pódio em Budapeste, mas dessa vez como referência dos medalhistas.

 

“Eu fiquei emocionado mesmo pela lembrança. Bruno passou por Salvador, eu vi ele aparecendo no cenário estadual. Passaram 17 anos e ele nos usa como referência, é uma luta dele também”, afirmou o nadador.

 

Valério se anima com a nova geração, mas ganha um tom melancólico ao falar de Salvador em relação ao esporte. Para ele, a capital baiana está aquém do que poderia. “A situação está crítica, não é nada animador, mas o que falta é estrutura, falta clubes, apoio de patrocinadores, por isso eu reverencio demais os atletas que saem de Salvador apesar disso”, analisou Bala, que já não encontrava muitas piscinas adequadas à natação na sua época de atleta.

 

A preocupação aumenta quando ele pensa no reflexo da falta de investimento esportivo na educação. “Eu acho que são duas ferramentas importantes demais, uma está atrelada a outra, educação e esporte. Esporte educacional é uma coisa que não potencializa a competição, mas tem a inserção do aluno, cria a oportunidade do esporte” disse. “É um sistema, se a educação está mal, o esporte também está”, acrescentou lamurioso.

 

O alento, no entanto, está com a Caravana do Esporte. Crente de que o esporte educacional é transformador, a esperança é que ele tenha mais alcance em Salvador. “É um projeto que fomenta a prática esportiva, mostra o quanto é bacana. O esporte tem dessas, de mostrar caminhos que a gente nem imagina percorrer, abrir horizontes. É o que tem faltando!”, finaliza.

 

O caminho de Edvaldo Valério foi pela natação, modalidade que o fez passar de fã para referência. Dentro desses caminhos, o esporte reserva seus ciclos. A Caravana do Esporte coloca o ciclo para girar, por novas pessoas transformadas pelas atividades esportivas e, mais que isso, pela educação transformada pelo movimento.

ESPN

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