DIÁRIO DE BORDO

De artilheiro a sanfoneiro, Mestrinho é só encantamento na Caravana em Serra

Mestrinho conheceu um futebol diferente e aprovou a experiência. |Foto: Fabio Cerati/Instituto Mpumalanga.

Mestrinho conheceu um futebol diferente e aprovou a experiência. |Foto: Fabio Cerati/Instituto Mpumalanga.

Nem só de sanfona vive o sanfoneiro. Mestrinho nem quis saber de sua velha parceira quando viu a meninada tocando a bola na estação do futebol da Caravana do Esporte. Foi logo deixando a companheira acomodada na sombra para se juntar aos pequenos serranos na pelada.

 

Aquilo ali, no entanto, não era o futebol que Mestrinho conhecia, o futebol que ocupa invariavelmente suas segundas e terças com os amigos. O futebol na Caravana é diferente, nada de 11 para cada lado, são todos juntos! De mãos dadas de modo a formar uma roda, os times se separam em duas circunferências. As bolas – uma para cada time – é colocada ao centro e comemora quem conseguir conduzi-la ao gol ser desatar as mãos.

 

Mestrinho, como o nome anuncia, orquestrou a brincadeira. Foi direcionando a criança e pimba! Gol do time do sanfoneiro! “Muito legal porque tira o esporte da individualidade. São todos juntos então eles não pensam só em si”, comentou ao final do primeiro tempo.

Vibração com o gol do time do Mestrinho! |Foto: Fábio Cerati

Vibração com o gol do time do Mestrinho! |Foto: Fábio Cerati

Na segunda etapa não teve jeito, Mestrinho resgatou a sanfona para mostrar ao que veio. Munido da grande companheira, ele foi à tenda das artes com o dedilhar muito mais habilidoso do que os pés. Asa Branca, Lamento Sertanejo, e a sanfona ia animando a criançada, que acompanhava o ritmo com pandeiros e batuques.

 

“A raiz da humanidade são as crianças e a gente tem que priorizar isso para um mundo melhor. A música entrou na minha vida, mas não tomou todo espaço, eu vivi o esporte também”, sentencio o instrumentista.

 

Mestrinho era só encantamento ao interagir com as crianças. “Estou lisonjeado. Quando eu entrei aqui eu senti uma energia muito boa. É na infância que se forma um bom caráter, começa pela infância, e quando existe educação esportiva dessa maneira, as crianças só tem o caminho das coisas boas”, acrescentou.

Mestrinho resgatou a sanfona para tocar com os pequenos serranas pela Caravana das Artes. |Foto: Fabio Cerati/Instituto Mpumalanga

Mestrinho resgatou a sanfona para tocar com os pequenos serranas pela Caravana das Artes. |Foto: Fabio Cerati/Instituto Mpumalanga

 

Após o dia ensolarado na Arena Caravana, a noite caiu em Serra. A Lua Cheia era a atração do lado de fora da tenda, pois dentro dela brilhavam muitas estrelas. Mestrinho se juntou a elas no céu iluminado do Sarau Caravana para interagir com a comunidade com música e cultura. Tudo aquilo que deveria fazer mais parte da vida das pessoas do Planalto Serrano, periferia de Serra, no Espírito Santo.

 

“Os pais dessas crianças têm que ver isso também, porque isso fará a diferença na educação dos filhos deles”, afirmou antes da apresentação. Na plateia as crianças dividiam espaço e as múltiplas experiências dos projetos com os pais.

Durante a noite, Mestrinho se juntou ao time do Sarau Caravana para encantar com sua música. |Foto: Fabio Cerati/Instituto Mpumalanga.

Durante a noite, Mestrinho se juntou ao time do Sarau Caravana para encantar com sua música. |Foto: Fabio Cerati/Instituto Mpumalanga.

 

*A Caravana das Artes está junto com a Caravana do Esporte, em Serra, no Espírito Santo, para a quinta etapa dos projetos que carregam metodologias educacionais para todo o Brasil.

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