DIÁRIO DE BORDO

Diário de Bordo: Rica cultura de Laranjeiras abre caminho nas artes

O sorriso faz parte da dança, ou a dança, do sorriso. Para Clécia tanto faz. (Foto: Celia Santos)

O sorriso faz parte da dança, ou a dança, do sorriso. Para Clécia tanto faz. (Foto: Celia Santos)

Pode ser um olhar de saudade ou um olhar de admiração, mas sabemos que contém alegria. Depois de participar do projeto em Porto da Folha, em 2015, o olhar de Clécia Queiroz para a Caravana das Artes é alegre, pois vê além. O valor de um sorriso ao dançar é enorme porque revela a alegria em aprender.

 

Clécia passou o dia com as crianças na arena. Dançou com elas, sorriu também. Aliás, quando a cantora se põe a rodar apresentando o Samba de Roda, sorrimos todos. É a mágica das artes!

 

“A Caravana coloca a arte de volta na vida das pessoas. Essa Caravana não pode parar, pois é o momento de plantar a semente”, afirmou. Clécia dá a arte o papel de agente transformador. Foi assim que a música, a dança e o teatro entraram na sua vida, transformando-a, na medida em que abria novos caminhos. A Clécia antes das artes não é a mesma de hoje. As crianças não serão, tampouco Laranjeiras passará passiva depois desses três dias de ação com a Caravana das Artes e a Caravana do Esporte.

Crianças se divertiam com o samba na tenda da Caravana das Artes. (Foto: Celia Santos)

Crianças se divertiam com o samba na tenda da Caravana das Artes. (Foto: Celia Santos)

 

A cantora também destaca o trabalho dos professores do Instituto Mpumalanga, responsáveis pela metodologia da Caravana das Artes. “São pessoas que acreditam no ser humano”, observou. O ensino das artes na Caravana leva em conta o ser sensível, ou seja, o aprendizado não se dissocia das emoções, da sensibilidade e historicidade de cada um. Logo, o respeito a cultura local e as tradições se refletem em cidadãos mais empoderados.

 

A cultura é um aspecto marcante de Laranjeiras, principalmente se levarmos em conta a variedade de manifestações – existem 26 expressões culturais diferentes – na cidade. A Caravana abre espaço para as raízes do samba, com o Samba de Roda e o Samba de Pareia, culturas afro-brasileiras, mas também para a Dança de São Gonçalo, tradição de origem portuguesas. Por ser uma cidade colonial, onde grandes senhores de terras gerenciavam os canaviais escravocratas, expressões de origem européia e africana dividem espaço.

 

O Grupo de Dança São Gonçalo da Mussuca trouxe os movimentos da dança portuguesa e envolveu as pessoas na tenda das artes. Os homens trajavam vestidos que despertou curiosidade das pessoas. Segundo tradição, eles se vestem de mulher para representar como a dança começou. O objetivo era cansar as mulheres para que elas abdicassem do trabalho de prostituição. Já no período colonial, a arte abria caminhos.

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