DIÁRIO DE BORDO

Em julho, Caravana monta etapa no município histórico de Laranjeiras

capa_laranjeiras

As primeiras imagens de Laranjeiras, 24km de Aracaju, a capital sergipana, remetem à igreja de traços coloniais. É a Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, umas das muitas construções da época do Brasil Colônia preservada na pequenina cidade de pouco mais de 30 mil habitantes. É nesse cenário que a Caravana do Esporte e a Caravana das Artes erguem suas tendas para mais uma etapa dos projetos, a quarta a ser desenvolvida em 2017.

 

Município histórico, Laranjeiras abriga são somente as ruas de pedra-sabão características de um Brasil de outrora, mas também uma população com traços inseparáveis da trajetória daquele local. A cultura afro-brasileira tem muita presença em Laranjeiras, onde se instalaram senhores de engenho da cana-de-açúcar e junto deles uma população escrava responsável por revoltas expressivas contra o sistema vigente. As maiores delas entre os anos de 1835 e 1837, muita antes da abolição declarada em 1888.

 

Nesse cenário surge João Mulungu, o Zumbi do Sergipe, em referência ao líder negro símbolo da resistência contra a escravidão, cujo famoso Quilombo dos Palmares sobreviveu no relevo favorável da Serra da Barriga na vizinha Alagoas. Tais traços tão marcantes da história seguem presentes na cultura, com movimentos como Reisado, Guerreiros, Lambe-Sujos e Caboclinhos, Cacumbi, Taieira, Samba de Parelha, São Gonçalo, entre outros.

 

Se por um lado Laranjeiras foi apelidada de África Sergipana, em virtude da forte presença negra, ela também ganhou o apelido de Atenas Sergipana. Durante o Império, grande parte da aristocracia se estabeleceu na cidade, que ganhava cada vez mais destaque com os rendimentos da cana de açúcar e seu importante porto exportador.

 

Às margens do Rio Continguiba, o porto cercado por laranjais deu nome para a cidade. A referência para o porto das laranjeiras rendeu a nomenclatura, mas as laranjas nunca foram mais expressivas que a cana dentro da organização social local. A economia açucareira era quem ditava o ritmo daquele povoado. A função exportadora foi reforçada com a primeira alfândega de Sergipe, em 1836. A produção agrícola de Sergipe passava por Laranjeiras.

Arquitetura colonial permanece preservada por tombamento. (Foto: Divulgação/Turismo Sergipe)

Arquitetura colonial permanece preservada por tombamento. (Foto: Divulgação/Turismo Sergipe)

 

O crescimento econômico atraiu para lá comerciantes, médicos, advogados, professores e outros intelectuais. Esse novo contingente que se estabeleceu na cidade reforçou a ideia de Atenas sergipana. Entre os anos 1841 a 1851, Laranjeiras representou o maior centro cultural e artístico de Sergipe. O título de cidade, todavia, só é dado efetivamente em 1948.

 

Hoje, Laranjeiras, que chegou até a receber a visita de Dom Pedro II no Brasil Império, não tem o mesmo requinte de outrora. O Índice de Desenvolvimento Humano do Município é de 0.642, considerado Médio e menor que o parâmetro nacional. A educação, longe de ser considerada uma Atenas, apresenta Índice de Desenvolvimento Educação Básica de 3,7 na rede pública.

 

Nesse contexto histórico e atual, a Caravana do Esporte e a Caravana das Artes ocupam o centro histórico durante uma semana voltada para a educação por meio de metodologias esportivas e artísticas. A identidade local também é fortalecida com a Mostra Saberes da Terra, em sua segunda edição. Na primeira em São Sebastião, a cultura caiçara foi muito bem representada por meio de sabores, histórias e tradições. 

 

Laranjeiras recebe os projetos no dia 11, 12 e 13. Antes da ação, a abertura está marcada para o dia 10 de julho. A Arena Caravana será montada na Rua Barros Siqueira de Menezes, 520.

 

VEJA NOSSO INFOGRÁFICO:

WhatsApp Image 2017-07-03 at 15.38.14

Comentários