DIÁRIO DE BORDO

Emotiva, Zezé Sales vibra com crianças em função de educadora

Dona de tantos títulos no Brasil e no mundo, Zezé Sales assumiu um único nome na arena da Caravana do Esporte, montada em Palmas, no Tocantins. Virou “tia” para as crianças e não se importou com a nova nomenclatura. O primeiro passo para se tornar um educador é compreender o universo infantil. A jogadora de handebol cumpriu essa etapa com maestria. Entre os pequenos, era mais uma criança.

 

“Na Caravana eu venho como atleta do handebol, mas o que importa é a alegria de estar fazendo bem para as crianças, mostrando a disciplina e a brincadeira do esporte. Aí não importa mais quem eu sou”, afirmou a campeã mundial de handebol de areia.

Zezé era das mais animadas na arena montada pela Caravana do Esporte e pela Caravana das Artes em Palmas. Com brincadeiras, ela se tornou um sucesso entre os pequenos. (Foto: Celia Santos)

Zezé era das mais animadas na arena montada pela Caravana do Esporte e pela Caravana das Artes em Palmas. Com brincadeiras, ela se tornou um sucesso entre os pequenos. (Foto: Celia Santos)

 

Zezé ficou em uma das oito mini-estações esportivas montada pelo projeto. O material de trabalho era a bola e a criatividade. O futebol foi apresentado aos pequenos de forma diferente. De mãos dadas, eles formaram dois círculos. A bola foi colocada no centro e o objetivo era conduzi-la até o gol adversário. Era preciso trabalhar em conjunto, mas tudo ficou mais fácil com as dicas e os gritos de incentivo da campeã. No entanto, logo a bola foi levada as mãos e Zezé se mostrou ainda mais ambientada. Não perdeu a chance de brincar junto.

 

Veja também:

+ Em transição para educador, Diogo Silva aprova integração indígena em Palmas

+ ‘Parte da família’, Érika Coimbra comemora mais uma Caravana do Esporte 

 

“Eu trabalho com a bola o que é algo muito motivacional. Com a bola você pode brincar de várias maneiras. Nós temos a cultura da bola no pé, mas aqui mostramos outras possibilidades e eles gostam”, comentou.

 

As crianças de Palmas não tiveram a oportunidade de ver Zezé jogar profissionalmente, muitas sequer imaginavam se divertir com atleta que defendeu a Seleção Brasileira. Todavia, a “tia” foi ídolo. Naqueles minutos de convivência os olhos eram de admiração para a professora, que arrancava risadas dos alunos com seu bom humor.

Campeã mundial de handebol de areia viveu os dias de ação como professora (Foto: Celia Santos)

Campeã mundial de handebol de areia viveu os dias de ação como professora (Foto: Celia Santos)

 

“O objetivo aqui não é a divulgação do meu esporte. É o prazer de estar dentro de um projeto. Não importa o que seja, os projetos sociais são muito importantes, principalmente para as crianças que não têm tantas oportunidades”, reforçou Zezé, que desenvolve um trabalho social com jovens de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. “Mesmo como professora de educação física, na Caravana eu aprendo e levo isso para a realidade onde eu moro. Lá necessita muito disso”, acrescentou.

 

A jogadora visita Palmas com a Caravana no contexto da realização dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas na capital tocantinense. O encontro de culturas de todo o mundo foi aproveitado por nosso projeto, que trabalhou com crianças indígenas e não indígenas.

 

“Eu gosto muito da cultura indígena, então para mim vem sendo uma experiência fantástica. Eu já participei de mundiais e olimpíadas (Sydney 2000), mas isso é completamente diferente. Não tem cronograma”, vibrou Zezé, admirada com as quebras de protocolos e o intenso clima de integração nos Jogos. “Nós somos muito metódicos”, concluiu.

Aprendizado com crianças de Palmas serve de base para Zezé Sales levar metodologias educacionais a São Gonçalo - RJ, onde desenvolve um projeto com jovens. (Foto: Celia Santos)

Aprendizado com crianças de Palmas serve de base para Zezé Sales levar metodologias educacionais a São Gonçalo – RJ, onde desenvolve um projeto com jovens. (Foto: Celia Santos)

 

Os mesmos olhos que assistiram admirados às competições se umedecem ao lembrar os momentos marcantes de celebração.  “Aqui o perdedor lamenta por cinco segundos, depois disso, eles já estão se abraçando e dançando de alegria”, conta. “Eu sou uma pessoa muito emotiva”, justifica a campeã.

 

Zezé Sales vivenciou muitas etapas dos projetos, mas não quer deixar de acompanhar de perto a Caravana do Esporte e a Caravana das Artes. “Eu tento ir todo ano pelo menos em uma. É uma renovação estar aqui. Cada Caravana é diferente. Aqui estamos convivendo com a cultura intensamente. Eu gosto da Caravana porque aqui o que acontece são transmissões de coisas boas”.

 

Comentários