DIÁRIO DE BORDO

Força no ringue, serenidade na vida: o segredo de Adriana Araújo

Adriana Araújo trocou experiências com as crianças de Marabá (PA). Agora é o momento de levar seu esporte educacional para Lauro de Freitas (BA).

Adriana Araújo trocou experiências com as crianças de Marabá (PA). Agora é o momento de levar seu esporte educacional para Lauro de Freitas (BA).

Aos 35 anos, a baiana Adriana Araújo é bem mais tranquila do que nos tempos de infância e início da adolescência. O que a trouxe maior equilíbrio das emoções foi o esporte. Porém, não confunda essa serenidade com brandura na hora da luta. Adriana tem estilo agressivo no ringue e foi assim que conquistou os melhores resultados de uma mulher no boxe brasileiro. Na próxima etapa, em Lauro de Freitas, a parceira do projeto estará com a Caravana do Esporte. 

 

A medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres- 2012 transformou a carreira da pugilista. Os bons resultados para chegar em alto nível na Olimpíada não ganharam reconhecimento da imprensa na época. O pódio, no entanto, fez os olhares midiáticos se voltarem para o boxe feminino. Adriana se tornou a primeira e única mulher brasileira a ser premiada em nível olímpico com o terceiro lugar na Inglaterra.

 

“O boxe feminino cresceu muito depois da medalha. Mesmo com bons resultados não se tinha reconhecimento. Depois de Londres, veio maior visibilidade”, pontuou a atleta, lembrando que as dificuldades do esporte amainaram, mas continuam a existir.

A mensagem que o esporte traz é também de alegria e aprendizados. Na luta, Adriana se tranquilizava.

A mensagem que o esporte traz é também de alegria e aprendizados. Na luta, Adriana se tranquilizava.

 

Resolver problemas sempre foi uma característica de Adriana Araújo. O que mudou foi a maneira como a pugilista enfrenta os obstáculos. O temperamento explosivo foi cercado pelo ringue e as portas abertas pelo esporte. A luta era contra os aborrecimentos, o peso, o preconceito e a falta de oportunidade. A baiana encontrou resistência dentro da própria família no início no boxe, aos 15 anos, mas mostrou ser esse o caminho.

 

“Convivia com muitos meninos e pegava um pouco dessa agressividade, mas com a conversa do professor e o esporte fui aprendendo a lidar com a vida. O esporte é uma forma de lidar com a vida”, contou Adriana. “O esporte já é educação. A luta educa e eu sou exemplo disso”, sentenciou.

 

“Meus pais eram contra. Olhavam como um esporte agressivo, principalmente para a mulher. Na academia eu me desestressava e aprendia a ser uma pessoa mais educada na rua”, contou. A cultura machista não foi compatível com as ideia daquela baiana. “Sempre fui contra esse negócio de mulher ter que ficar na cozinha, mulher tem que fazer o que ela quer. O esporte é para mulher, para homem, para criança, para idoso”.

 

O boxe para Adriana foi o resgate de uma autoestima e de valores. A Caravana do Esporte também significou um resgate. Ela trouxe uma nova infância para a atleta de Salvador, que hoje olha com carinho imensurável para o trabalho associado à educação das crianças.

 

“A Caravana é algo muito importante na minha vida. O primeiro convite foi um momento que eu estava passando dificuldade, fiquei dois anos fora da Seleção depois de Londres, e então recebi o convite da Adriana Saldanha (diretora do projeto). Eu estava triste e o encontro com as crianças foi muito importante para mim. Elas têm a gente como ídolo e ver isso é muito legal”, finalizou Adriana, que já estive com nosso time em três etapas [Horizonte (CE), Vila Velha (ES) e Marabá (PA)].

 

A Caravana do Esporte em Lauro de Freitas acontece dias 04, 05 e 06 de abril.

 

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