DIÁRIO DE BORDO

Na Caravana, Samba de Pareia apresenta cultura quilombola de Laranjeiras

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Nas festas juninas, a tradição do Samba de Pareia está sempre presente em Sergipe (Foto: Divulgação)

Em Mussuca, uma comunidade quilombola do município de Laranjeiras, no Sergipe, ninguém é ‘ruim da cabeça’, tampouco ‘doente do pé’. Todos ali nasceram e se criaram no samba. A comunidade mantém viva uma das raízes do samba, com tradições que começaram nos canaviais, entre os escravos da lavoura, e não se perderam com tempo. O Samba de Pareia é uma das ricas manifestações afro-brasileiras, identidade nacional e sergipana.

 

Dona Sessé é uma das moradoras que participa do Samba de Pareia. Aos 57 anos, está cheia de força e desenvoltura para continuar a bater os tamancos no samba, que aprendeu “só de ver” e não deixa de incentivar os mais novos na dança. A tradição é mantida através das gerações. Dona Sessé ia ao movimento com a avó, Maria São Pedro, que sambou até o fim da vida, assim como pretende a neta.

“É uma coisa centenária, passada de geração a geração. É uma tradição muito apreciada na comunidade quilombola e a Mussuca não deixa isso acabar”, conta Dona Sessé. O Samba de Pareia é dançado em pares, podem de homens com mulheres, ou só de mulheres, quando os homens ficam responsáveis por tocar os instrumentos. Os pares mudam conforme o avanço das batidas.

Dona Sessé samba desde os seis anos e nem pensa em abandonar a tradição. (Foto: Arquivo Pessoal)

Dona Sessé samba desde os seis anos e nem pensa em abandonar a tradição. (Foto: Arquivo Pessoal)

A sonoridade do tambor, da cuíca, do atabaque e do ganzá ganha a companhia dos indispensáveis tamancos. A batida contra o chão faz parte da música. As roupas também englobam a tradição. São vestidos rodados floridos e ornamentos como colares e brincos. Tudo para embelezar o samba.

 

Em sua maioria pescadores e agricultores, os moradores da Mussuca são os mais tradicionais representantes do Samba de Pareia, que também ganha importância social ao trabalhar de forma indireta com a questão da identidade. No samba, as raízes africanas são reconhecidas. “Se fala muito em discriminação contra o negro, mas aqui a gente ganha reconhecimento, somos aplaudidos”, afirma Sessé, que viaja com o grupo para apresentações em outros estados.

 

A comunidade se reúne no samba também em forma de homenagem. O festejo com a dança é organizado toda vez que uma mulher dá a luz. Bastam 15 dias após o parto para o samba rodear a mãe e filho. Em Mussuca, nascer no samba não é mera força de expressão. A força ali brota do chão cada vez que o tamanco pisa.

 

O Samba de Pareia será um dos temas da Mostra Saberes da Terra, marcada para a próxima quinta-feira, dia 13, na Tenda Sarau, da Arena Caravana, montada no Sesi Laranjeiras (Av. Senador Valter Franco, 602). Dona Sessé vai falar sobre a tradição e dialogar com Clécia Queiroz, cantora baiana especialista no Samba de Roda.

 

Confira os painéis da Mostra Saberes da Terra:

9h – Empreendedorismo Feminino – Com a advogada Ana David

14h – Salvaguardo do Samba de Roda e do Samba de Pareia.

16h – Grupos folclóricos e preservação cultural de Laranjeiras.

*Exposições aconteceram no espaço em paralelo.

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