DIÁRIO DE BORDO

Ronaldo da Costa corre pela educação com a Caravana do Esporte

Dono de um feito imbatível no país, corre com crianças e pensa em educação como solução dos problemas sociais. | Foto: Celia Santos/ Instituto Mpumalanga

Dono de um feito imbatível no país, corre com crianças e pensa em educação como solução dos problemas sociais. | Foto: Celia Santos/ Instituto Mpumalanga

O rosto de Ronaldo da Costa não sugere nada familiar as crianças de Aparecida de Goiânia, em Goiás, onde foi realizada a oitava etapa anual dos projetos Caravana do Esporte e Caravana das Artes. A parceria entre ele, o atleta recordista mundial de maratona, e os pequenos, que sequer haviam nascido no ano do feito, é estabelecida pelo jeito brincalhão. Tão feliz quanto as crianças, Ronaldo da Costa prova que o esporte é para todos e as alegrias intrínsecas à prática esportiva, também!

 

Mostrar o esporte que o revelou para o mundo aos pequenos de também oportunizar novas possibilidades dentro do esporte, onde o futebol recebe lugar de destaque. “Muitos deles me não conhecem, são novos, a gente sabe disso!”, afirma Ronaldo. “Claro que eu gosto de futebol, porque domina 98%, eu também sempre gostei de futebol, não vou falar que eu não, mas tem outros esportes que dá para combinar com educação, como o atletismo”, pondera.

 

Mesmo com um feito inigualável no país até hoje, – nenhum brasileiro conseguiu bater o tempo de Ronaldo na Maratona de Berlim, quando marcou 2h06min05, em 1998 – o maratonista não desfrutou de grande reconhecimento, tampouco de um conforto financeiro como acontece com os jogadores de futebol. Ronaldo, contudo, exalta sua modalidade e o novo rumo dado à vida em função do esporte.

 

“Mudou minha história”, declara. De família grande do interior de Minas Gerais, a pequena cidade de Descoberto, Ronaldo tem mais de uma dezena de irmãos. Um deles, o gêmeo Romildo, não seguiu o mesmo caminho das corridas e é citado pelo irmão. O envolvimento com drogas o desnorteou do caminho de Ronaldo, que seguiu na corrida. Ele conseguiu se recuperar para a alegria do gêmeo, que aponta o atletismo como razão para um destino diferente.

 

Aposentado das pistas, a corrida agora é com a educação. “Eu quero me formar, quero ser professor de educação física. E ensinar tudo de bom para essas crianças, porque essas crianças são nosso futuro e eles precisam da gente. Se a gente não passar o que é bom para eles fica largado, não pode”, afirmou o atleta, que cursa Educação Física em Ceilândia, cidade satélite de Brasília, e participa como estagiário da secretaria de esporte do município.

 

Ronaldo da Costa, cujo início na corrida fora em piso de terra batida, não acredita em grandes estruturas para a solução de problemas na educação. Para ele, o maior investimento deve ser diretamente nas pessoas, elas sim com potencial de alterar grandes estruturas sociais.

 

“Você tem que investir no ser humano, investir na criança, no jovem! Não adianta fazer o melhor estádio do mundo, a melhor pista de atletismo, se você não investir na educação. E a educação começa aonde? Na escola”, explica.

Cursando Educação Física, Ronaldo quer trabalhar com educação do "futuro do país". | Foto: Celia Santos/Instituto Mpumalanga

Cursando Educação Física, Ronaldo quer trabalhar com educação do “futuro do país”. | Foto: Celia Santos/Instituto Mpumalanga

 

É dessa linha de pensamento que parte tamanha identificação com os projetos Caravana do Esporte e Caravana das Artes. Ambos não desfrutam de grandes estruturas. Ao contrário, valorizam as metodologias que apontam soluções educacionais com poucos recursos.

 

“É que nem queijo e goiabada”, brinca Ronaldo, se referindo a combinação de esporte e artes com a educação. “Fiquei muito feliz quando eu cheguei aqui na arena para ver o movimento, a estrutura maravilhosa, tudo adequado, tudo adaptado”, exalta. A Caravana usa instrumentos recicláveis e acessíveis em sua prática pedagógica, pois entende que assim ele pode ser reproduzido em municípios cuja a verba é limitada.

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