DIÁRIO DE BORDO

Tudo se transforma em música

COMO A CONSTRUÇÃO DE ELEVADORES TRANSFORMA INSTRUMENTOS EM BRINQUEDOS PARA AS CRIANÇAS

Nada se cria, nada se perde. Tudo se transforma.

 

A famosa frase de Antoine Laurent Lavoisier é repetida sem pestanejar pelos colegiais nas mais diversas escolas do Brasil. O princípio tão conhecido da química tem significado ainda mais profundo no Instituto Mpumalanga, onde tudo se transforma…em música.

 

O processo começa pelo fim e o fim é um novo começo. Eu explico. Quando termina a construção de um elevador na fábrica da Otis, parceira da Caravana das Artes, sobram uma série de materiais – matérias-primas como lascas de metal, cortes de chapa, madeira, entre outros. Parte desses materiais são destinadas à uma reciclagem especial.

 

Uma função musical é o destino justo de um reciclável.

Uma função musical é o destino justo de um reciclável.

O caminhão da Caravana passa pela fábrica e sai carregado dessas ‘sobras’, que logo alcançarão outro patamar de existência. Quando os olhos de Euclides Ferreira, o Pardal, miram o monte de matéria-prima a imaginação do artesão já projeta a nova função dos recicláveis.

 

Com trato cuidadoso, apesar de forte, ele vai moldando as chapas de modo a produzir novos acordes. O barulho é de serra, de furadeira e de repetidas marteladas. Contudo, é essa sinfonia que vai produzir o Dó, Ré, Mi, Fá que ajudarão as crianças do projeto Caravana das Artes aprenderem sobre ritmo, adquirindo maior coordenação motora e o encantamento próprio da arte. Aqui surge o novo começo.

 

“É preciso desinventar os objetos. O pente, por exemplo. É preciso dar ao pente funções de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou uma gravanha. Usar algumas palavras que ainda não tenham idioma”, Manoel de Barros.

 

Os objetos também querem sua função de poesia. Todo objeto merece ser arte para alterar sua nobre existência.

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